Esse segundo semestre de 2010 com a etapa II da tarde sugeri aos alunos que trabalhássemos com o texto de Dias Gomes problematizando desde o início uma polarização entre o indivíduo e o coletivo para debatermos as relações humanas e enfrentarmos juntos a construção da personagem realista num determinado tempo e espaço da nossa história. Trata-se da ditadura militar instaurada no Brasil a partir da década de sessenta até sua abertura em 1984. Período de chumbo onde estudantes universitários, militantes, políticos e artistas foram duramente perseguidos e mortos pela polícia do exército e pelo DOI-CODI. Trabalhar com o grupo nesse processo foi um exercício extremamente rigoroso e, fundamentalmente, exaustivo, onde o foco era o desmonte das máscaras sociais diante de uma situação limite imposto tanto pelos exercícios em aula como também o era sugerido pelo próprio estado de sítio em que o autor contextualizou em Os Campeões do Mundo.
Mas qual seria a pertinência filosófica, política, social e artística para a realização deste texto? Uma pergunta leva a outra e parece não trazer de imediato uma única resposta, mas possibilidades de respostas. Por que existimos? Há necessidade de Campeões hoje em dia nessa atual conjuntura política em que vivemos? Há algo que realmente mobiliza os jovens a lutarem por algum Ideal no século XXI assim como foi no século XX? Devemos nos preparar para uma luta, sim. No entanto, a mentalidade vigente – a hegemônica - que ainda explora nas lutas de classes, as mais baixas e as oprimem com regimentos, decretos e leis Municipais, Estaduais e Federais colocando-nos num dilema: lutar com armas na mão ou buscar uma forma pacífica pela conscientização do povo num devir revolucionário do indivíduo para a transformação do coletivo?
Enfrentamos as forças legitimadas pelo Estado e as forças paralelas que se reinventam e se desdobram em milícias, quadrilhas, e, em movimentos revolucionários para furar os bloqueios dessa atual guerra civil, aparentemente, incontrolável. Perigo. É possível ficar no meio desse fogo cruzado e não tomar nenhuma atitude? Existimos para um mundo melhor, mas ele mesmo está em cheque-mate. E, onde estão os campeões para defender o mundo? O sonho acabou?
Esse texto pode nos trazer de volta algo que perdemos: um sentido, um sonho. Um sentido para continuar a desafiar, denunciar, politizar e transformar tudo que nos oprime no meio e no espírito da consciência dos homens, que na bipolaridade entre a ajuda e a violência das nações, se faz ainda necessário uma guerrilha. Mas quem é mais importante? Qual a coisa certa a ser feita? Qual o melhor momento da coisa certa a ser feita? Eis as questões para o crepúsculo dos campeões do século XXI.
Wagner Pinheiro